Artista plástico do interior de SP celebra 50 anos de carreira e analisa impacto da IA na arte: 'Falta alma'

  • 08/05/2026
(Foto: Reprodução)
Dia do Artista Plástico: prudentino celebra 50 anos de carreira com técnicas próprias "Ser artista é coisa de criança". É assim que o artista plástico Cido Oliveira resume a própria trajetória ao falar sobre os 50 anos dedicados à pintura. Natural de Presidente Prudente (SP), José Aparecido de Oliveira, conhecido artisticamente como Cido Oliveira, começou a desenhar ainda criança e iniciou as primeiras pinturas aos 10 anos de idade. Atualmente, aos 60 anos, ele vê a própria história se confundir com a arte. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp No Dia do Artista Plástico, celebrado nesta sexta-feira (8), o g1 conversou com o artista sobre a trajetória dele, técnicas e opiniões sobre Inteligência Artificial na profissão. "Eu sempre falo que o meu trabalho é a coisa que eu sonhei desde criança e eu vivo o tempo inteiro nesse sonho. Eu comecei com 10 anos de idade e eu completei agora 50 anos de pintura", afirmou Cido. O primeiro reconhecimento profissional veio cedo. Aos 12 anos, um vendedor de quadros passou pela casa da família e viu algumas pinturas feitas por Cido em pedaços de madeirite. A mãe do artista sugeriu que ele encomendasse obras originais no lugar das gravuras que vendia de porta em porta. O pedido deu certo e marcou o início da carreira. 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Atualmente, as aulas são feitas no próprio ateliê, localizado na Rua Júlio Prestes, 630, no Jardim Aviação, reunindo cerca de 40 alunos de diferentes idades. A virada na carreira veio em 2011, quando ele foi convidado a participar da Mega Artesanal, considerada uma das maiores feiras de arte e artesanato da América Latina. "Foi lá [no Mega Artesanal] que as portas se abriram para o mundo, porque ali eu comecei a sair em revistas e comecei a ser conhecido por galerias de fora", explicou. Artista plástico de Presidente Prudente (SP), Cido Oliveira celebra 50 anos de carreira, entre espátulas e viagens internacionais Cido Oliveira/Arquivo pessoal Desde então, o artista passou a receber convites internacionais. Em 2022, participou de uma feira em Dubai, onde pintou ao vivo durante um evento de decoração realizado no World Trade Center da cidade. No mesmo ano, também esteve em Paris para uma apresentação artística no Carrossel do Louvre. Depois, seguiu para Roma, onde pintou em pontos históricos como a Piazza Navona e o Castelo Sant'Angelo: "Isso para mim marcou muito, porque, daquele artista da infância que sonhava em ser um artista, eu acabei saindo para diversos lugares". Além das exposições e viagens, o artista passou a investir em uma nova frente de trabalho nos últimos anos: pinturas realizadas ao vivo durante casamentos. Desde 2024, Cido produz telas em tempo real durante cerimônias, retratando os noivos enquanto o evento é realizado. "Já pintei muitos casais na cerimônia. É uma coisa inédita para a nossa região. As pessoas não estão muito acostumadas. Conhecem, mas sabem que são artistas de fora, e aqui eu venho fazendo isso desde 2024", relatou o artista. Inteligência Artificial Artista plástico de Presidente Prudente (SP), Cido Oliveira celebra 50 anos na profissão Cido Oliveira/Arquivo pessoal Durante a entrevista, Cido também comentou sobre o avanço da Inteligência Artificial na criação de imagens e pinturas digitais. Para ele, a tecnologia impressiona pela rapidez e pela capacidade visual, mas ainda não consegue substituir aquilo que considera essencial na arte humana: emoção, sensibilidade e vivência. "A Inteligência Artificial nunca vai ser um artista. Ela nunca vai ter o que o artista tem, e isso é fato. O artista tem a alma, a visão, a emoção, um olhar de uma paisagem e a sensibilidade. Do olho para o coração, do coração para a tela, e isso a Inteligência Artificial não vai ter", expressou Cido. O artista também disse que acompanha as transformações tecnológicas e não se considera contrário ao uso da IA, mas acredita que existe uma diferença entre a criação artificial e a experiência humana colocada em uma tela. Na opinião dele, a arte já passou por outras revoluções ao longo da história, como a fotografia e o design digital, e continuará existindo justamente pela capacidade humana de criar significado e sentimento. Espátula e Impressionismo Artista plástico de Presidente Prudente (SP), Cido Oliveira celebra 50 anos na profissão Cido Oliveira/Arquivo pessoal Uma das principais características das obras de Cido Oliveira é a utilização da espátula no lugar do pincel. A técnica, segundo ele, começou a ser desenvolvida em 2003 e se tornou sua principal marca artística. O trabalho segue a linha impressionista, movimento associado a nomes como Claude Monet e Vincent van Gogh, mas adaptado ao uso da espátula, ferramenta que cria texturas espessas e reduz os detalhes da imagem. "É uma ferramenta muito diferente, porque a maioria dos artistas pinta com pincel. Eu também comecei com pincel, mas a espátula traz mais textura na obra, deixa aquela tinta mais espessa, diminui os detalhes e torna o trabalho impressionista", explicou. Ainda conforme o artista, a técnica exige rapidez e prática constante: "É uma ferramenta super complicada [...] Tem que ter prática, mas tudo na vida é assim, a nossa vida é assim". Cido também destacou que o uso da espátula cria uma identidade visual própria, permitindo que admiradores reconheçam suas obras apenas pelo estilo. Novos passos Mesmo após cinco décadas de carreira, Cido afirmou viver uma das fases mais intensas da vida profissional. Nos próximos meses, o artista participará novamente da Mega Artesanal, fará workshops no Paraguai e seguirá realizando pinturas em casamentos pelo país. Além disso, se prepara para concretizar um sonho antigo: pintar paisagens na Costa Amalfitana, no sul da Itália. "É um lugar que é um sonho meu. Estou há um ano esperando esse dia chegar nessa viagem", contou o artista. Para ele, o maior objetivo continua sendo manter a arte viva e incentivar novas gerações a seguirem o mesmo caminho. "Eu sempre tive um sonho e eu corri atrás. Então, para todos os artistas: que corram atrás dos seus sonhos. Seja você uma pessoa que tem um poder aquisitivo ou se não tem um poder aquisitivo, o que importa é o seu sonho e o que você faz para o bem das pessoas. E a arte, ela pode ser vista para decorar uma parede ou ela pode ser vista para despertar as pessoas para as belezas que esse mundo tem", finalizou. Artista plástico de Presidente Prudente (SP), Cido Oliveira celebra 50 anos na profissão Cido Oliveira/Arquivo pessoal Initial plugin text *Colaborou sob supervisão de Stephanie Fonseca Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-e-regiao/noticia/2026/05/08/artista-plastico-do-interior-de-sp-celebra-50-anos-de-carreira-e-analisa-impacto-da-ia-na-arte-falta-alma.ghtml


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